Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007

CONVENTO DE S. FRANCISCO

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CONVENTO DE S. FRANCISCO

Dos edifÍcios e institutos religiosos existentes em Leiria - enumerados, em 1906, pelo jornal Leiria Illustrada: «uma Sé, quatro conventos, treze igrejas e doze capelas», além das instituições particulares -, restam hoje muito poucos. Entre os conventos de mais antiga fundação, após o estabelecimento dos crúzios por volta de 1155, sobressai o da Ordem de S. Francisco, em 1232; os cónegos viram com maus olhos a construção do convento, mas um Breve do Papa Gregório IX, de 1223, veio em apoio dos frades mendicantes.

Ergueu-se o edifício junto à margem do rio, no Rossio de Santo André (depois conhecido por Arrabalde da Ponte); as cheias, porém, causavam grandes danos e prejuízos, o que explica a construção de um novo convento no sítio onde ainda agora está implantado, provavelmente com o valioso auxílio de D.João I, como diz a tradição. A igreja seria sagrada apenas em 1562, segundo uma inscrição colocada junto à porta principal, sofrendo novas remodelações, ao mesmo tempo que a construção conventual, na segunda metade do século XVIII.

Cedido á Camara de Leiria, por Carta de Lei de 2 de julho de 1855, instalou-se no convento a cadeia municipal; em 1861, a igreja foi novamente entregue aos Franciscanos; mas, em 1904, estes encomendaram o projecto de uma nova igreja e respectivos anexos (onde funciona o seminário filosófico da Ordem), ao professor e arquitecto italiano Nicola Bigaglia; de estilo «neogótico», o templo franciscano, obedecendo aos preceitos de uma construção moderna, seria concluído após a morte do seu arquitecto, ocorrida em Veneza, em 1908. Defronte ao novo edifício, implantado no Largo da Portela (designação que remonta aos inícios do século XV), foi colocado um retábulo de pedra seiscentista, onde se destaca sob um nicho a imagem de S. Francisco, ladeado por dois anjos acólitos, formando um pequeno recanto de arranjo urbanístico.

Entretanto, o velho convento seria ocupado pela Companhia Leiriense de Moagens, em 1921, após a adaptação do edifício às instalações fabris, segundo um projecto de E. Korrodi; acrescentando-lhe um andar, com largas fenestrações uniformes, o arquitecto preservou, no entanto, o claustro, onde se reconhecem as linhas da antiga construção, e o ritmo dos vãos nos dois pisos da fachada primitiva. Ao lado, encontra-se ainda a igreja, cuja fachada, de linhas singelas, se abre ao exterior através de uma galilé renascentista; dois largos janelões, ladeando um nicho que abriga a imagem do santo, acusam as alterações efectuadas no século XVIII, sendo a fachada, já muito degradada, rematada por uma cornija em forma de frontão.

O interior do templo, é de uma só nave, com um coro construído sobre a galilé, possuindo ainda a original cobertura de madeira e altares laterais quinhentistas (sabe-se que, em 1576, Fernão Ruíz Barba, instituiu aí uma capela), e de Setecentos (família Trigreiros); por detrás do grande arco triunfal (com data de 1668 e a inscrição segundo a qual foi alteada dois metros em 1880), demarcando um ligeiro transepto, perfilava-se a capela-mor, do padroado dos marqueses de Vila Real que ali elegeram local de sepultura, passando depois o direito de capela à Casa do Infantado. Em 1888, a revista O Panorama, transcrevia, como curiosidade,um epitáfio que fora encontrado na igreja: «Aqui jaz João Bicudo Mociço/Christão per lei/Cavalleiro mui sizudo/Fidalgo da casa d´el-rei...»

Comunicando com o coro, a Capela da Ordem Terceira, acrescentada em 1719, estabelecia a ligação com outras dependências - sacristia, refeitório e a cozinha -, cujas paredes eram revestidas por azulejos de cenas historiadas, azul e branco, narrando episódios da vida de S. Francisco, e possuíam tectos apainelados, de pinturas polícromas, da primeira metade do século XVIII.

(Nota: Já depois da publicação deste livro e muito recentemante, este convento levou obras de restauro conforme se pode ver nas fotos.)

(ESTE RELATO FOI RETIRADO DO LIVRO - CIDADES E VILAS DE PORTUGAL - LEIRIA DE LUCÍLIA VERDELHO DA COSTA DA EDITORIAL PRESENÇA QUE É PERTENÇA DA BIBLIOTECA MUNICIPAL DA CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA - www.cm-leiria.pt )

 

 

Publicado por alfredocr às 23:06
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1 comentário:
De Catarina Rodrigues a 25 de Janeiro de 2007 às 17:43
Muito interessante a historia do convento, eu alias nao sabia que as moagens tinham sido um convento muito antes. Pena nao ter imagens de como o convento era por dentro e como e agora.


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