Quarta-feira, 16 de Maio de 2007

FREGUESIA DAS CORTES

Freguesia de Cortes
Sobre esta freguesia, onde se localiza a nascente do tão celebrado rio Lis, escreveu, um dia, o historiador Jaime Cortesão: “Cortes, aldeiazinha fresca e pitoresca regada pelo Lis, que sussura nas cascatas, nas azenhas cortejantes, nas grandes rodas com que aqui, como em Tomar e na Cova da Beira, tiram a água do rio para as regas. Cobre-o em quase toda a sua extensão um toldo contínuo de arvoredo. Foi nesta aldeiazinha, tão poética e tão fresca, numa casa fronteira à velha ponte do rio, que nasceu o poeta Rodrigues Cordeiro, e ali vieram hospedar-se por várias vezes os vares do tempo, Castilho, João de Lemos, Bulhão Pato, Tomás Ribeiro. Naquela mesma casa morreu ele em 1896. Também nasceu nas Cortes o ilustre escritor Afonso Lopes Vieira. De tempos antigos apenas se conserva na Rua do Conselheiro Vargas uma linda janela manuelina”.

Decorria o segundo decénio do século XX quando foram escritas estas palavras, quase setecentos anos depois do aparecimento das primeiras referências documentais ao lugar de Cortes, aí por volta de 1250. O topónimo constava num pergaminho originário dos Templários, em que estes registaram as terras de que eram pro-prietários na região de Leiria, e também num outro documento relativo à doação ao Mosteiro de Alcobaça de uma herdade “in loco qui dicuntur Corthes”, por João Saído.

Posteriormente a 1250, vários documentos também se referiram a Cortes nomeadamente em 1262 - "Ribeyra das Corthes", 1287 - "Cortes no termho de Leiria", 1290 - "Cortes aa fonte da Reyxida", e em 1292 - "Herdade em Cortes". Ao contrário do que afirmaram alguns autores, a origem do topónimo não está relacionada com a nomeação das reuniões daquele nome, como muitos pretendiam. Os especialistas que empreenderam o seu estudo etimológico mostraram-se favoráveis a filiar o nome Cortes em “terras de culturas ou herdades”.

A povoação de Cortes, em consideração ao seu desenvolvimento sócio-económico foi elevada a sede de uma freguesia criada em 1582, na qual se integrava a ermida da Senhora da Gaiola que, sabe-se, já existia no ano de 1550. Em 1607, seria a capela demolida na sequência da edificação da igreja matriz, tendo-se transferido para ela, em procissão, as imagens que pertenciam à ermida, entre as quais se salientava a da Senhora da Gaiola, naturalmente, uma das mais preciosas.

Esta imagem, colocada num nicho do retábulo, à parte do Evangelho, oferece-nos uma Virgem da Gaiola, muito formosa e com rara magestade, segurando nos braços o Menino Jesus. É uma escultura de madeira do século XVII, bem pintada e estofada com pouco mais de um metro de altura. Também do mesmo século, vê-se na sacristia um Cristo crucificado, de marfim, imagem de tipo indiano. Há ainda um armário com vestígios de pinturas do começo do século XVIII.

O templo é de grandes dimensões e muito bem iluminado com três altares e capela-mor, de abóbada muito elegante e perfeita, toda dourada, com primoroso retábulo, também dourado. Reina uma certa sumptuosidade no interior da igreja, onde a sua nave é coberta por um tecto de cinco planos com estuques alusivos à ladaínha da Virgem. Existem peças e pormonores de grande mérito artístico como as pinturas de ornato, seiscentistas, que decoram a abóbada da capela, os azulejos, da mesma época, de dois tipos, policromados, a quinhentista pia de água benta, de pedra lavrada e as esculturas de pedra, do século XVI, figurando S. Brás e Santa Luzia.
Relacionado com o orago da freguesia existe uma lenda que Frei Agostinho de Santa Maria, nos transmitiu na sua obra “Santuário Mariano”, após a ter recolhido pessoalmente no local.

A lenda da Senhora da Gaiola fala duns pastores que descobriram, no tronco de uma árvore, uma imagem de Nossa Senhora e felizes com o achado fizeram-lhe uma cabana onde a começaram a venerar. A pequena casa foi construída com ramos de várias árvores, e quando pronta, em tudo se assemelhava a uma gaiola, nome pelo qual a Virgem passou a ser invocada até aos nossos dias.

Frei Agostinho fala também do antiquíssimo costume de fazer o Bodo nas Cortes e pedir esmolas para ele. D. João III, em 1542, emitiu mesmo uma provisão autorizando excepcionalmente a continuação do evento, atendendo à sua ancestralidade. O Bodo chegou aos dias de hoje, com muitos forasteiros a acorrerem ao adro da igreja para levar o pão da Nossa Senhora da Gaiola, benzido pelo pároco em cerimónia especial.
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Publicado por alfredocr às 23:14
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